Precisamos falar sobre Adoção e HS…

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Adoção. O que você pensa quando ouve essa palavra? Você sabe o que isso significa? Conhece alguma família próxima a você que tenha adotado? Quais são seus pensamentos em relação a isso?!

Bom, para muitos, adoção ainda é um tabu, algo meio duvidoso, com uma atmosfera como que de mistério e segredo. No entanto, deixe-me dizer: não é nada disso. Muito pelo contrário!

Adoção nada mais é do que fazer de alguém que não foi gerado na sua barriga, um filho amado, cuidado, ensinado e disciplinado, exatamente da mesma maneira como o que nasceu de dentro de você biologicamente. Baseado nisso, vamos para algumas considerações:

  1. O que a lei diz?

Diz art. 22 do ECA: ‘Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais’.

Já o Código Civil, art.1.634: “Compete aos pais, quanto à pessoa dos filhos menores: I – dirigir-lhes a educação; II – tê-los em sua companhia e guarda; […] VII – exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição”.

Ora, uma vez adotados por uma família, a criança passa a se encaixar nisso tudo aí em cima expresso e os pais TAMBÉM. A lei não é exclusiva para “filhos biológicos”, mas para todos os filhos que fazem parte de uma família. A Lei não é exclusiva para “pais biológicos”, mas para todos os pais que formam uma família com seus filhos. Portanto, é assegurado POR LEI que as crianças adotadas são TÃO FILHOS quantos os nascidos da barriga, dispondo dos mesmos direitos e obrigações!

Como disse a drª Maria Cecília Gollner Stephan, juíza eleitoral de Juiz de Fora (MG): “Podemos afirmar que os pais estão cumprindo as normas que regem os direitos e deveres dos pais, quando eles estão criando e educando a criança de acordo com suas posses e condição social, proporcionando-lhe meios materiais para sua subsistência e instrução, moldando-lhe a personalidade (incentivando as boas tendências e inibindo outras), dando boa formação moral, espiritual e intelectual.”

Ainda sobre os direitos dos filhos adotados, temos que: “A adoção, de acordo com o artigo 41 do Estatuto da Criança e do Adolescente, atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais biológicos e parentes consanguíneos, salvo os impedimentos matrimoniais.
A adoção, segundo o Estatuto, não tão somente iguala os direitos sucessórios dos filhos adotivos, como também estabelece reciprocidade do direito hereditário entre o adotado, seus descendentes; e o adotante, seus ascendentes, descendentes e colaterais, até o 4º grau, observada a ordem de vocação hereditária. Foram superados, por conseguinte, todos os resquícios de discriminação na adoção, existentes até a Constituição de 1988.” (Ana Carolina Camerino)

Ainda: “Os filhos adotivos e não-adotivos deverão ter reconhecidos os mesmos direitos, não devendo haver distinção entre eles (art. 227, §6º, do documento constitucional). Também são proibidas designações discriminatórias relativas à filiação nos registros públicos (por exemplo, designar um dos filhos como “legítimo”, “natural” ou “bastardo” é constitucionalmente vedado)” (Isabelle Ströbel)

Portanto não se engane: filho biológico tem o mesmo status legal que o adotado.

           2. E o homeschooling?

Tendo dito isto, creio que fica clara a conclusão. O(s) filho(s) adotado(s) tem a mesmíssima possibilidade de praticar a educação domiciliar que qualquer outra criança. Ter sido adotado não é nenhum impeditivo para a prática do homeschool. Sendo assim, se você deseja adotar – como eu e meu marido – tenha ciência disso. Você pode praticar o homeschooling, porque é seu dever dirigir a educação, dar guarda e sustento aos teus filhos (cf Código Civil e o ECA).

Espero ter ajudado. Que esse assunto seja mais recorrente e menos tabu na nossa sociedade.

Fontes:

Conversa com o dr. Alexandre Magno – inclusive, se você tiver dúvidas quanto ao assunto, sugiro procurá-lo ou a qualquer advogado de família.

‘Adoção – direitos e deveres dos pais’, por Dr.ª Maria Cecília Gollner Stephan. Disponível online: http://bd.tjmg.jus.br/jspui/bitstream/tjmg/669/1/palSM-RES.pdf

‘Adoção na legislação brasileira – procedimentos a serem adotados para adotar crianças observando as disposições legais constantes da legislação brasileira’, por Ana Carolina Camerino. Disponível online: http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/5808/A-adocao-na-legislacao-brasileira

‘Efeitos jurídicos da adoção’, por Isabelle Ströbel. Disponível online:  http://www.direitodireto.com/efeitos-juridicos-da-adocao/

Lei nº 8069, de 13 de julho de 1990. Disponível online no site do Planalto.

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“Filhos são uma dádiva e não um fardo”

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Você já observou como muitas pessoas hoje parecem ter alergia à crianças? Muitas realmente não querem nem pensar na ideia (como eu já agi um dia!); outros, só depois de todas as graduações, cursos de especialização e uma vida totalmente estabilizada financeiramente – uma utopia, certamente. Além disso: “pra quê mais de um”? “Tanto trabalho, tanta despesa, tanta dor de cabeça, tanta gente no mundo, não é mesmo”?

Se você é um desses ou conhece alguém assim, leia esse lindo texto, de um pai. Filhos são uma grande dádiva e a melhor herança que o mundo pode ter! 😉

Boa leitura!

O texto de hoje foi escrito pelo César Santos, do blog Educação Domiciliar – Educando no Caminho. 

Vivemos em uma sociedade que desconhece totalmente a perspectiva da soberania de Deus, de sua graça e provisão. O presente século ensina que cada um é dono de seu destino, que as posses, renda, moradia e formação acadêmica é que vão determinar sua felicidade e sua prosperidade. Com esta triste visão não é de se estranhar que os filhos sejam vistos como um peso, um fardo ou como uma fonte de preocupações e gastos.

Aqueles casais que têm a coragem de se casar, esperam até que tenham casa própria, carro, “estabilidade” no emprego, conclusão de sua graduação e/ou pós graduação para, somente então, pensar em ter um filho.

Infelizmente esta visão se entranhou até mesmo na Igreja de uma tal forma que tem se tornado mais e mais difícil encontrar famílias que tenham mais de um filho.

Entretanto, devemos conhecer e crer na Palavra de Deus que nos revela de forma maravilhosa a correta visão que devemos ter dos filhos.

No relato da criação, primeiro capítulo de Gênesis, quando Deus abençoava algo criado Ele estabelecia um propósito e dotava a coisa criada com a capacidade de cumprir tal propósito e em Gênesis 1.28ª  encontramos: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a…”. A possibilidade de gerar filhos é uma benção dada por Deus e as pessoas se recusam a aceitar este ensinamento bíblico.

O Sl 127.3-5 registra que “Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta”. Os filhos são herança no hebraico este termo é empregado para uma relíquia, uma propriedade ou um patrimônio; são um galardão que recebemos na presente vida como um benefício ou recompensa. Na sequência vemos uma símile, usada na poesia hebraica para reforçar ou enfatizar uma ideia, afirma-se que os filhos são como flechas, são instrumentos úteis em nossa batalha espiritual e na carreira da fé, pois nos ensinam a ter mais intimidade com o Senhor e a depender verdadeiramente d’Ele em suaarc-1306660_960_720 preparação (criação dos filhos) para um dia serem lançados.

O salmista afirma Feliz o homem que enche deles a sua aljava.
Na Bíblia a posteridade numerosa é um evidente sinal do favor divino.

Continuando nos salmos o Sl 128.1-4 que resume todo o ensino bíblico acerca de uma família piedosa fiel afirma:

Cântico de romagem
Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos!  Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem. Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira frutífera; teus filhos, como rebentos da oliveira, à roda da tua mesa. Eis como será abençoado o homem que teme ao SENHOR!

A verdade bíblica é que os filhos são uma benção, um presente, uma dádiva preciosa que o Senhor nos confia. Eles são uma das maiores alegrias que podemos receber em vida.

Devemos ensinar tais verdades em nossas igrejas, aos nossos jovens e apoiar os casais que se dispuserem a ter vários filhos. Os líderes devem admoestar em amor e com mansidão os casais, que tem sucumbido a visão humana ou secular e que percebem os filhos como um peso ou um fardo.

O trabalho que a criação dos filhos possa dar é incomparavelmente menor do que a alegria e gozo que eles nos dão quando os criamos no caminho do Senhor.

Métodos de Ensino – II Encontro EDUCAR-RJ

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No último sábado, dia 05 de novembro, aconteceu no Rio o II Encontro do grupo de apoio do EDUCAR no estado. Nele, estivemos, juntos, discutindo e aprendendo mais sobre o que é a educação domiciliar e a legalidade dela no país, sobre o que é o EDUCAR e vimos os métodos de ensino mais comuns no ensino familiar.

Como foi dito na reunião, o exposto não pretende esgotar o assunto, muito pelo contrário: quero que você leia um resumo e pesquise mais sobre as metodologias, principalmente aquela (ou aquelas) que te agrada (m)! Então, o texto de hoje será um pequeno resumo dos métodos que discutimos, em forma de tópicos ou pequenos parágrafos.

Você também verá links para maiores detalhes ou para saber de onde foram tiradas as informações do texto.

Boa leitura!

Método Tradicional

Trabalha-se com o livro-texto, como na escola. Faz-se a leitura e exercícios, que podem ser de múltipla escolha, ou aqueles de ‘falso ou verdadeiro’. Há ênfase na lembrança e memorização dos conteúdos, para depois fazer uma avaliação. Muitas famílias usam desse método no período de transição entre a escola e a educação domiciliar. (Ensinando no Caminho – 5 sabores do HS)

Unit Studies 

É o estudo por fenômenos ou temas. A família escolhe um tema e, a partir dele, relacionam-se todas as disciplinas. Por exemplo: quando você estuda o Egito Antigo, você poderá ler livros sobre o Egito (História), faz um mapa de argila do país (Geografia), determina como calcular o peso de uma pirâmide (Matemática), explora como os egípcios irrigavam suas terras através do Nilo (Ciência), relaciona o que acontecia na Bíblia naquele período (Teologia), lê um livro de ficção que  se passa naquele período (Literatura), constrói pirâmides (Artes), aprende como soletrar ‘pirâmide’, etc. É bastante interdisciplinar. (5 homeschooling styles)

Unschooling

É também denominado de aprendizagem natural e o termo foi usado originalmente por John Holt. Consiste em ser o mais longe possível da aprendizagem presente na escola. A criança deve seguir seus próprios ritmos, e o aprendizado se torna parte natural da vida. Todos os dias é a criança que decide o que quer fazer, se quer ir à biblioteca ler sobre determinado assunto ou se passar o dia fazendo experiências científicas. O importante é que o jovem que controla seus horários e fazem os ajustes necessários para cumpri-los. (Aprender sem escola)
“O unschooling consiste na criação e manutenção, por parte dos pais, de um ambiente rico e estimulante em que as crianças podem seguir os seus interesses e as suas paixões. Os pais facilitam, ajudam, encorajam, inspiram, guiam, apoiam e amam. As crianças riem, brincam, descobrem, exploram, constroem, inventam, criam,(…). Alguns pais estendem essa filosofia para além da componente acadêmica e dão às crianças mais opções em todas as outras áreas das suas vidas (comida, horário de dormida, etc). A isto se chama ‘unschooling radical‘” – Sandra Dodd. (Escola Bela)

Montessori

Maria Montessori (1870-1952) foi a desenvolvedora desse método. Era médica, psiquiatra e educadora. “Ao longo de sua graduação e depois, participou de congressos feministas e falou em e escreveu em defesa da mulher, de suas condições de trabalho, da exploração a que era submetida”.

A metodologia é uma abordagem científica em que a criança aprende através do trabalho concreto, manual. Há toda a preparação do ambiente e do professor/pai e usa materiais específicos. Preza-se muito pela autonomia e independência da criança. Zela-se pelo ambiente organizado, propício ao aprendizado. A criança deve ter liberdade de escolha, assegurada pelo conhecimento dos materiais com que ela dispõe para o trabalho.  Segundo Montessori: “somente através da escolha livre de trabalho, a criança poderá revelar sua natureza, interesses, seu talento e criatividade, reconhecer-se e desenvolver-se”. (Sou Mãe; Lar Montessori)

Charlotte Mason – Uma atmosfera, uma disciplina, uma vida

Foi uma educadora, escritora e professora britânica (1842-1923) educada em casa por seus pais. Elaborou toda sua filosofia com base na necessidade que a criança tem de conhecer a Deus e ser tratada com a dignidade de quem carrega a imagem de Cristo – uma pessoa completa, não uma tábula rasa. Assim como a criança é completa fisicamente, ela o é mentalmente, o que não significa que ela seja perfeita, mas que não é inferior ao um adulto, apenas ainda não desenvolveu certas habilidades físicas e mentais plenamente.

Nesse método, não se usa livro texto, mas livros vivos – que são, basicamente, narrativas (literatura ou biografias).  Literatura faz com que a emoção e imaginação sejam mediadores do aprendizado. Nesse método, não se faz perguntas, como que direcionando e condicionando a resposta e a memória da criança, mas espera-se que ela reconte (falando ou escrevendo) tudo que foi lido e ouvido. Isso estimula o hábito da VERACIDADE, ou seja, a criança aprende a dizer sempre a verdade e de maneira mais exata possível.

– não utiliza conteúdo formal antes dos 6;

– Uso de livros com belas imagens e textos ricos, em vez de abobalhados;

– admiração da natureza e contemplação das obras de Deus;

– Criança é solicitada a fazer narrativas do que ouviu. Quando nova, narrativa oral; quando mais velha, narrativa escrita;

– Leitura Audível em família;

– memorização;

– copywork – exercício de cópia no caderno para fixação do conteúdo;

– ditado;

– disciplina: Bons hábitos para ela são essenciais para a vida e também para a aprendizagem do conteúdo acadêmico. Ser disciplinado, atencioso, ter domínio próprio ajuda e muito na hora de estudar. (Prefiro meu lar; Educação em família)

Educação Clássica

Visa que a criança seja capaz de aprender o que precisarem e baseia-se no Trivium, que apresenta 3 fases: Gramática, Lógica e Retórica.

Gramática (6-10 anos*): Na Gramática, a criança desde beeem pequeninha vai memorizar os fatos, eventos, datas… ou seja, “o que, quando, onde”. (Quantos dentes tem um crocodilo? Qual o nome de certa flor? O que aconteceu em 1500 no Brasil? Memorizar poemas e passagens bíblicas, etc etc). É a memorização de longo prazo, ao contrário da que temos na escola.  Ela é a fase fundamental, onde serão lançadas as bases. As crianças são esponjas, então é hora de fazer o que está em Dt.6-19: inculcar na cabeça delas. Ou os pais aproveitam isso, ou a escola o fará, sem a criança nem perceber. Época de memorizar: tabuada, mapa, linhas do tempo, versículos bíblico, valores, etc.

Na Lógica (10-12), a criança/adolescente começa a perguntar os porquês, já demonstra pensamento um pouco mais analítico, faz conexões entre os fatos que ela viu lá na fase da Gramática e tira as conclusões. É necessário ter uma capacidade de leitura fluente, para que haja um bom desenvolvimento, além de ter firmes os conceitos básicos da matemática. Fase mais analítica, quando se desenvolve o pensamento crítico.

Já na Retórica (13-18), o jovem se expressa de modo mais polido, mais convincente, mais maduro… Nessa fase ele é capaz de observar e identificar os argumentos apresentados pelos outros, sabendo se é um argumento adequado, verdadeiro, etc. Resumindo, foca em como se expressar, no pensamento abstrato e na articulação. Fase de aplicar, criação e expressão. (Samuel Vitalino; Karis Anglada – Maçãs de Ouro)

“Inculque-Ensine-Aplique” (Samuel Vitalino- Homeschoolig, dever de casa)

*Essas fases são subjetivas, não estáticas.

Até a próxima! Boas pesquisas 😉

O que mais importa

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Eu não tive que esperar por nenhum resultado de provas: as descobertas eram claras.

Teve um dia que eu dei ao meu filho um teste prático, sem preparação, e um beija flor salvou o meu dia e me lembrou que educação é mais do que uma prova padronizada. Eu fui lembrada que a natureza e o cuidado pelos seres vivos me ensinam mais do que milhões de folhas de atividades.

Mas apesar da perspectiva melhorada, eu ainda me surpreendi com os resultados daquele dia de teste ‘real’. Felizmente, dessa vez não teve choro. Nós estávamos preparados. Nós havíamos trabalhado duro para terminar o currículo do meu filho nesse ano. Nós havíamos completado muitos testes. Nós revisamos os conceitos daquele ano. Como nós nunca havíamos feito nenhuma prova, eu realmente não tinha ideia de como ele faria isso.

No geral, eu só queria ter essa experiência de prova para identificar onde nós precisaríamos focar nossos esforços no ano seguinte. E isso funcionou.

Na manhã da prova, eu percebi vários problemas de comportamento no meu filho. Me dei conta que eles só aumentavam – reclamação, obediência sem rapidez, trabalho feito após hesitação, argumentação, desrespeito e interrupção.

Para minha surpresa, eu fez a prova muito tranquilamente. Bom, ele pode muito bem ter acertado tudo. A aplicadora do teste, uma sábia mulher que já fez homeschooling com várias crianças, disse, com um sorriso, que eu podia relaxar com as matérias um pouquinho.

O que eu tinha que focar a partir de então ficou muito claro: Não era matemática, não era leitura e compreensão, não era gramática. Era o caráter! O teste nos mostrou que precisávamos de uma correção sutil no curso:

Atitude, acima de aptidão
Respeito, acima de leitura e compreensão
Gratidão, acima de gramática
Mansidão, acima de habilidades matemáticas.

 É claro que eu sei disso, certo? Nós todos sabemos. Nós fizemos os Letter Lesson¹ por anos. Mas era mais fácil focar quando eles eram menores. A tentação quando eles crescem – e as matérias são cada vez mais acadêmicos – é deixar o desenvolvimento do caráter escorregar, uma vez que temos tantas matérias para aprender.

Eu, então, disse ao meu marido: “Sabe, poderíamos tirar um ano inteiro de férias do nosso currículo formal e concentrar apenas em caráter, hábitos, atitudes e habilidades para a vida e estaríamos bem academicamente.”

Isso me lembrou das famosas palavras de Charlotte Mason:

“A questão não é ‘Quanto o jovem sabe?’ ao terminar sua educação, mas ‘O quanto ele se importa?'” (tradução livre)

Como ensinamos esse tipo de educação, então?

É fácil ir ali e comprar o próximo livro de matemática. Mas não é tão fácil discernir os corações dos nossos filhos, ver os modos sutis em que eles tendem para o egoísmo e o ‘direito’ de ter algo, ingratidão ou preguiça. Mais difícil ainda perceber essas mesmas coisas no nosso próprio coração!

Claro que isso parecerá diferente para cada um de nós. Não existe um pacote de como lidar com o desenvolvimento do caráter (Como eu gostaria de comprar um ‘kit de caráter’ na Amazon!). Para nós, isso significa determinar 5 hábitos chave que deixamos passar, onde nós vamos escolher focar nossa atenção nos dias a seguir, ainda que isso implique em dar um passo atrás nos assuntos acadêmicos.

Para nós, eles são:

  1. Obedecer prontamente e com alegria
  2. Respeitar os outros
  3. Trabalhar diligentemente e entusiasticamente
  4. Expressar gratidão
  5. Exercitar domínio próprio

Sabe, se conseguirmos alcançar isso nesse ano, eu estarei satisfeita 🙂

Entre essas 5 coisas, engolir dezenas de bons livros e gastar várias horas do lado de fora, na natureza – acho que já temos nosso plano do homeschooling.

Agradecida que um teste padronizado me ensinou isso 🙂

Como VOCÊ foca no desenvolvimento do caráter no meio das atividades acadêmicas? Compartilhe conosco. Obrigada por ler!

Texto escrito por Kari Patterson, do blog Sacred Mundane, reproduzido em Simple Homeschool. Traduzido por Nossa Herança.

¹ Letter Lessons: um recurso comum entre pais cristãos, que consiste em pegar textos bíblicos que tratem diretamente de traços ou comportamentos para instruir os seus filhos desde pequenos. Para tratar de mansidão, por exemplo, pode-se usar o texto de Mateus 5.5, fazendo as crianças memorizarem e internalizarem as verdades expostas no texto. Para mais exemplos, clique aqui (em inglês).

Aplicação do Método Clássico à catequese de crianças – Educação Domiciliar

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O que a catequese tem a ver com a Educação Domiciliar? Lendo esse texto espero que você tenha ideia da relação dessas duas coisas…
Se você ainda não leu o texto aqui do blog sobre ensinar a Palavra de Deus para seus filhos, leia aqui – e não deixe de assistir o vídeo do pequeno Giancarlo respondendo às perguntas!

Por Aláuli OliveiraEducação Domiciliar

“Temos 5 filhos. A mais velha tem 9 anos e o mais nova 8 meses. Em nosso culto doméstico todas nossas crianças estão presentes. E todas elas participam de alguma forma. As duas mais velhas, que já sabem ler, participam da leitura inicial de nossa devocional. Os dois menores oram quando solicitados e a caçula (8 meses), por enquanto, grita e distrai os irmãos.

O culto doméstico é o primeiro ato do nosso dia de educação domiciliar (ED). É quando ensinamos a sã doutrina aos nossos filhos por meio da catequese, ou seja, usando os catecismos reformados. Para as maiores, de 9 e 6 anos, usamos o Breve Catecismo. Para os menores, 4 e 3 anos usamos o Catecismo Infantil (Os Puritanos). Um questionamento que sempre me fazem é se meus filhos entendem o catecismo com todos aqueles termos teológicos complicados, etc. Também me questionam se deixar meus filhos pequenos no culto público não seria prejudicial para eles, uma vez que a linguagem não lhes é apropriada. Então, perguntam: não seria melhor manda-los para o “culto infantil” que tem uma linguagem (historinhas) mais adequada ao entendimento deles?

É possível que você faça estes questionamentos a si mesmo. Será que é útil catequizar uma criança pequena? Será que os catecismos são mesmo adequados às crianças de 3 e 4 anos? Vamos ver. Vou dar um exemplo. Como falei, usamos o Catecismo Infantil com nossos filhos pequenos. Vou tomar a pergunta dez como exemplo.

P. 10. Como chamamos esse ensino de que Ele (Deus) é um único Deus em três pessoas?

R.: Trindade.

Fazer esta pergunta a uma criança de 3 anos pode ser assustador! Pensamos: como vou explicar ao meu filho de três anos o que é trindade? Mas, o termo trindade não é o único estranho para os pequenos. Eles podem, por exemplo, querer saber o que é pessoa. Bem… parece que só piora, né? Mas, vamos ver um postulado bíblico com o qual também concorda a educação clássica.

As crianças pequenas não precisam necessariamente entender, elas precisam saber a verdade. “tu as inculcarás a teus filhos” é o imperativo bíblico para os pais (Dt 6.7). Crianças pequenas estão na fase que a educação clássica chama de Gramática. É um período de absorção de vocabulários e conceitos (nem sempre completamente compreendidos). Nesta fase não se deve exigir da criança compreensão lógica, concatenação de ideias, mas simples e diligentemente lhe ofertamos conhecimento e ela o absorverá.

No que diz respeito a catequese, nesse período a criança deve se familiarizar com as afirmações doutrinárias e adquirir o vocabulário teológico/bíblico que, mais tarde, nas fases lógica e retórica, serão úteis para o entendimento dos conceitos já postos em sua mente e para lhe dar sabedoria para viver segundo estes e expressá-los em sua vida. Sendo assim, quando ensino a pergunta dez do Catecismo Infantil para o Lucas de “tlês” anos, não pretendo explicar-lhe o que é Trindade (confesso que eu mesmo nunca passei para fase lógica nesta doutrina), mas somente que guarde a afirmação: Deus é Pai, Filho e Espírito Santo e este ensino (ou doutrina) se chama Trindade. Então eu pergunto: “Como chamamos esse ensino de que Ele (Deus) é um único Deus em três pessoas?”. E Lucas reponde: “Tlindade”. Está ótimo! É isso mesmo! Curiosamente, nem Lucas nem Lorena (4 anos) me perguntou o que significa Trindade.

Mas fica melhor! Esta é parte surpreendente. Usamos o catecismo infantil porque achamos mais fácil para os pequenos decorar. Mas usamos o Breve Catecismo de Westminster com as nossas filhas maiores – uma delas, Júlia, em transição para fase lógica. Depois de fazermos a pergunta dez do infantil para os pequenos, voltamo-nos para as maiores e fizemos a pergunta 21 do Breve:

P. 21. Quem é o Redentor dos escolhidos de Deus?

R.: O único redentor dos escolhidos de Deus é o Senhor Jesus Cristo que, sendo o eterno Filho de Deus, se fez homem, e assim foi e continua a ser Deus e homem em duas naturezas distintas, e uma só pessoa, para sempre.

Dia desses, depois de fazer a pergunta para as mais velhas e ouvir a reposta de cada uma delas individualmente, Lucas nos surpreendeu com a seguinte solicitação: “quelo falar sozinho”. Então, repeti a pergunta para ele. Ele respondeu: “O único redentor dos escolhidos de Deus é o Senhor Jesus ‘Clisto’”. Não creio que Lucas saiba o que é um redentor ou o que significa ser escolhido. Isto não necessário agora. Mas está gravado em sua cabeça, e espero que em seu coração também, que Cristo é o único redentor dos eleitos de Deus. Está bom por enquanto!

Os catecismos são adequados às crianças pequenas? A reposta é sim. E o mesmo serve para o culto público e o sermão. Na fase em que se encontram, o importante não é compreender, mas absorver a verdade.

Por isso, quero encorajá-lo a ensinar o catecismo aos seus filhos pequenos e memorizar as perguntas/respostas com eles. Da mesma forma a ler nas Escrituras, não somente as histórias, mas também os textos doutrinários. A deixá-los com a congregação no culto público e incentivá-los a ouvir o sermão. Ou seja, inculque e, no futuro, eles perguntarão o que tudo isso significa. Mas aí já é assunto para outro artigo.

Antes de encerrar, quero  fazer as seguintes recomendações:

O poder dos relacionamentos: a ED e a família

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Workshop sobre o poder dos relacionamentos na Educação Domiciliar. Momentos de muita emoção e aprendizado.

Como já mencionei anteriormente, estive na Global Home Education Conference. Foi maravilhoso conhecer taaaaanta gente engajada na vida de homeschooling, tantas famílias, gente até do meu estado, que eu não conhecia ainda. Saímos, todos, de lá muito motivados e determinados a dar seguimento ao futuro educacional dos nossos filhos. Vimos, pelas palestras, o direito que nós pais temos de decidir qual tipo de educação dar para nossos infantes, ouvimos coisas novas e vimos a realidade da educação domiciliar em pouco mais de 13 países do mundo.

No entanto, tenho que confessar que uma das partes mais emocionante da conferência foi o workshop “O poder dos relacionamentos na Educação Domiciliar”. Em primeira análise, esse título pode parecer algo brega, ou de ‘auto ajuda’. Mas a realidade é bem melhor.

Três palestrantes foram convidados para falar: Tracy Klica MacKillop (Home School Foundation), Rick e Barb Heiki (Grandparents of Homeschoolers) e Leigh Bortins (Classical Conversations). E todas elas se complementaram, de modo que no final, a mensagem passada foi reiterada. 🙂

A primeira palestrante foi Tracy Klica. Ela nos mostrou dados sobre pesquisas acadêmicas na área de educação. Primeiramente, segundo essas pesquisas, crianças com famílias intactas demonstram melhor um comportamento de auto controle, e, no geral, têm menos problemas comportamentais e emocionais. Além disso, elas têm maior desempenho acadêmico, aspiração educacional, senso de auto determinação e auto estima que a média ¹. Sabemos da importância das famílias bem organizadas, estruturadas, e harmônicas. Isso tem grande influência na vida dos filhos!  Sei bem que nem todas as famílias são assim, mas um lar bem ajustado é fundamental para a formação moral, emocional e até intelectual das crianças. E, como é de conhecimento geral, a família é o pano de fundo do homeschooling.

Se esses dados já eram favoráveis, dê uma olhada no que dizem as pesquisas sobre crianças educadas em casa: elas possuem maior nível de adaptação e coesão do que nas famílias que crianças que vão para a escola regular. E, devido ao longo tempo que passam juntos, dividindo experiências entre os pais e outras pessoas, crianças homeschoolers possuem uma capital social (i. e.: expressão de confiança e amor na sociedade) mais elevado².

Outra informação muito interessante é que o contato diário adulto-criança e as oportunidades para se atingir certos objetivos na educação domiciliar permite que as crianças estabeleçam um vínculo familiar maior. Fora a comunicação, que melhora muito durante a infância e se prolonga até a vida adulta. Além disso, foi mostrado que crianças educadas em casa se desenvolvem tanto quanto – ou melhor – social, emocional e psicologicamente do que aquelas que vão regularmente para a escola³.

Um último ponto sobre as pesquisas acadêmicas é que o respeito pelas diferenças individuais, a consideração social e o cuidado com o próximo são valores constantemente observados nas crianças homeschoolers. Ao contrário do que dizem os opositores do Homeschooling, tal prática só traz benefícios em termos sociais, uma vez que serão formados cidadãos respeitosos, que valorizam o outro, que sabem interagir em diferentes grupos sociais, que não pensam somente em si mesmos, mas na comunidade ao seu redor… É ou não é interessante que pesquisas comprovem o que a gente já fala há um tempão?! 😉

Vejam quantas coisas boas são atingidas através da Educação Domiciliar…. Entretanto, conforme os palestrantes mesmo mencionaram, e também os filhos homeschoolers que se apresentaram em um momento posterior, o maior benefício não é ser um bom cidadaão nem um aluno inteligente. O maior benefício que todos relatam é a melhoria do relacionamento familiar. Por causa do tempo que a família passa junto, por perseguirem alguns valores que a escola não persegue, por estarem envolvidos na vida familiar ativamente todos os membros se beneficiam.

Com quem você passa a maior parte do seu tempo? E seu filho? Uma criança de 3 aninhos, geralmente, já passa mais tempo com as tias da escolinha do que com seus pais. Com quem ela vai se parecer mais: com você ou com a tia [da escola]? Notem: relacionamentos demandam TEMPO. Não é só qualidade que importa! Tempo é fundamental. É com tempo que você vê as melhores qualidades, mas também os maiores defeitos que precisam ser corrigidos. Com a família junta, o amor cresce e se fortalece.

A história da família de Tracy Klica foi muito tocante, nesse aspecto. Ela e seu marido – Chris – tiveram 7 lindos filhos. Todos eles educados em casa desde que eles nasceram. A filha mais velha dela, aos três anos, a pediu para ensiná-la a ler, então assim começaram o homeschooling. Tudo estava indo muito bem, apesar da dificuldade de educar sozinha as crianças, até que em 1994 Chris foi diagnosticado com Esclerose Múltipla e rapidamente ele foi piorando seu quadro. Ainda sim, eles dois decidiram que continuariam com o homeschool, porque queriam investir na vida de seus filhos.

De 1991 a 1995 eles tiveram os sete – sim, eles tiveram gêmeos também! Então imagine: todas as crianças de sete anos para baixo, algumas com fraldas, outras começando a andar e o marido com Esclerose Múltipla. Segundo ela disse: “foram anos em que estivemos beeem ocupados”. Portanto, nesse tempo ela fez muita coisa informal com as crianças, como observações de espaços abertos, brincadeiras e jogos, passeios para eles aproveitarem a natureza e muuuuita leitura, fora afazeres domésticos, pois cada um tinha uma função em casa. Eles focaram em habilidades orais e de leitura, para depois partirem para a escrita.

Mais tarde, com o desenvolvimento das crianças, eles já faziam trabalhos em grupos – entre eles e outras famílias – e foram ‘formalizando’ um pouco mais o ensino. Mas em todo tempo o mais importante era fortalecer os laços familiares, entre os irmãos e entre os pais, e com outras crianças e adultos.

Com o passar do tempo, as crianças e o homeschool foram desenvolvendo, assim como a Esclerose de Chris, pouco a pouco. E, por causa da interação familiar provocada pela educação em casa, as crianças aprenderam a servir seu pai, a cuidar dele enquanto ele precisou deles. Os filhos aproveitaram ao máximo a presença do pai. Eles viajaram juntos, eles passavam o dia juntos, conversando, aprendendo, estudando, lendo a Bíblia… imagine que coisa boa! Eles aprenderam a amar um ao outro e cuidar um do outro, até que em 2009 o pai veio a falecer em virtude de sua doença.

Uma coisa é central: homeschooling não é só sobre melhorar a inteligência do seu filho, mas sobre o relacionamento da sua família. O tempo que as crianças estarão em casa, precisa ser bem aproveitado e vivido em família! Qual será a lembrança que seus filhos terão quando eles saírem da sua casa? 🙂

Fontes:

¹ Amato, P. R. [2005] The impact of family formation on the cognitive, social and the emotional well-being of the next generation. The future of children. 75-96

Manning, W. D And Lamb, K. A [2003]. Adolescent well-being in cohabiting, married, and single-parent families. Journal of Marriage and Family, 876-893.

Lansford, J. E. et al. Does family structure matter? A comparison of adoptive, two-parent biological, single-mother, stepfather, and stepmother households, Journal of Marriage and Family, 840-851.

² Alice-Carson, J. [1990]. Structural and interaction patterns of home school families. Home school Researcher : http://www.nheri.org/home-school-researcher/volume-06-issue-3/structure-and-interaction-patterns-of-home-school-families.html

Delahoock, M. [1986] Home educated children’s social/emotional adjustment and academic achievement: A comparative study. Doctoral dissertation, California School of Professional Psychology, Los Angeles, USA : http://www.nheri.org/home-school-researcher/volume-03-issue-3/review-of-qhome-educated-childrens-socialemotional-adjustment-and-academic-achievement-a.html

Ray, B. D. [2009] Home education reason and research. Commom questions and research-based aswers about homeschooling. : http://www.nheri.org/HERR.pdf

³ Knowles, J. Gary & Muchmore, James A. [1995]. We’re grouwn up home-school kids- and we’re doing juts fine, thank you. Journal of Research on Christian Education.

Cozinha do coração e da educação | Rachel Oliveira

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Qual o seu cômodo preferido na casa? A sua sala de TV? Seu escritório, onde fica seu computador? Sua biblioteca preciosa?
Já pensou na cozinha?! É, talvez não seja o lugar mais popular entre as mulheres modernas, mas ela é um lugar muito especial. Mas: o que uma cozinha tem a ver com a educação domiciliar? Nesse texto – pra lá de belo e poético – você vai entender.

Um bolinho no final da tarde…hum…que gostosura! Muito mais do que simples alimento, é uma demonstração de cuidado e carinho. Cheiro de bolo assando é um verdadeiro perfume no lar. Ele entra pela casa toda e vai chamando cada um para um momento de abraço coletivo, saboreando algo feito com amor.    E na hora do almoço, quando a fome começa a apertar? Aquele cheirinho de alho e cebola dourando….que delícia!

E todo dia é dia de cozinhar. Coisa chata? Sim, às vezes. Cansativa? Sim, várias vezes. Porém, quando me lembro que cozinhar para a família é uma forma de demonstrar amor, sinto que compensa cada cebola descascada.

Pensando assim, me veio algo à mente. O momento de cozinhar é uma oportunidade e tanta para ensinar! Tem tudo a ver com educação domiciliar, pois sabe-se que ensinar a cozinhar, a conhecer os alimentos, limpar a louça e pôr a mesa fazem parte de um bom “currículo”. Mas não para por aí!

Anos atrás, a cozinha era o principal lugar da casa. E, diga-se de passagem, o lugar mais gostoso de se estar. Lá, a mãe gastava a maior parte do seu tempo cozinhando, amando… E os outros membros da família queriam estar perto. Enquanto se cozinha, também dá para conversar, para aconselhar, dar bronca, jogar papo fora e..dar aulas!!!

Mas nessas cozinhas apertadinhas??? Só cabe um! O principal cômodo da casa foi transferido para a sala e, ao invés de longas conversas à beira do fogão, temos longos silêncios, na frente da televisão.

Contudo, essa não pode ser a realidade dentro de uma família que se dispõe a educar em casa (e em nenhuma outra, acredito eu!). Não posso falar por todos os lares em que se pratica a educação domiciliar mas, naqueles que eu conheço, a mulher dedica-se integralmente aos cuidados da casa, dos filhos, da educação deles e… da comida, que é feita com a ajuda dos pequenos cozinheiros.

A cozinha dos meus sonhos é a cozinha do coração. Grande, com mesa para todos se sentarem, para estudarem os compositores ouvindo o som da colher mexendo na panela, resolverem contas enquanto conto os bifes que vou fritar, decorarem um poema enquanto decoro uma deliciosa salada para nos alimentar.

É uma cozinha na qual as pessoas da minha casa podem chegar e se acomodar para juntos, enquanto cozinho, trocarmos muitas ideias. Ela é do coração porque é de lá que bombeio a vida para todas as outras partes da casa. É lá onde acolho os sentimentos que vêm dos outros membros desse corpo complexo, que é minha família, e os absorvo, como absorvo os cheiros que emergem das panelas.

Minha cozinha é pequena, que pena! Mas com jeitinho cabe todo mundo! Quantas vezes fico deitada no chão dela, contando histórias para meus filhos enquanto o feijão cozinha! Como foi gostoso ver algumas das minhas filhas desenharem as letrinhas dos seus nomes, pela primeira vez, no chão da minha cozinha! Sem falar que, por ser pequena, toda hora a gente se esbarra nos amores da nossa vida e logo o aperto vira pretexto para um beijo, um abraço, um afago. É, eu ainda quero uma cozinha grande, mas como ainda não dá, vou tentando transformar minha pequena cozinha num lugar cheio de amor, paixão e muita educação. Seja qual for o tamanho, sua cozinha pode ser um lugar do coração! Um lugar de transformação!

publicado originalmente em: Educação Domiciliar

“Fazendo escolhas que agradam a Deus” blog Educação Domiciliar

livre-arbitrio

Pais se preocupam com a educação e formação de seus filhos, se preocupam com seu bem estar, se preocupam com o intelecto e a alma deles. Para cada preocupação, um decisão. Mas em que se se baseia sua decisão? No âmbito da educação, qual a motivação para você escolher a forma como vai educar seu filho?

Nesse texto, o pastor Aláuli, no blog Educação Domiciliar, nos fará meditar sobre as motivações do nosso coração. Tire uns minutinhos pra ler… vale muito a pena! 🙂

“Como sabemos, o motivo final para tudo que fazemos é a glória de Deus (1Co 10.31; Rm 11.36 Cf. BCW p.1). Atender ou não a esse motivo é o que faz diferença entre atos de adoração a Deus e de idolatria. Ou seja, quando nossas ações são desejadas, planejadas e executadas tendo em vista a glória de Deus, não estamos simplesmente fazendo coisas, mas estamos fazendo coisas que agradam a Deus e que evidenciam o nosso reconhecimento de que Ele é o Senhor, que Dele é a verdade e que Ele é confiável: reconhecemos que a vontade Dele é boa, perfeita e agradável (Rm 12.1-3). Por outro lado, quando desejamos, planejamos e (…..)

Texto completo em: http://www.educacao-domiciliar.com/fazendo-escolhas-que-agradam-a-deus/

Educação Domiciliar: que papo é esse?! (2)

Book house and apple

Já escrevi um primeiro texto sobre o tema, então, se você ainda não leu, confere lá! Hoje, gostaria de considerar alguns pontos mais específicos sobre esse assunto. Prontos?

Quem já ouviu falar a palavra ‘homeschooling’, muitas vezes cai no engano de acreditar que se trata apenas de uma alternativa de educação, limitada à pessoas de classe média ou ricas. Afinal, só eles terão tempo, dinheiro, disposição e capacidade para tirar as crianças da escola e se dedicar apenas a isso. Outros, ainda, dizem que nem todos os pais são capazes de ensinar seus filhos, só os professores podem fazê-lo. E é sobre isso que esse texto quer tratar hoje.

Primeiramente, precisamos desconstruir alguns mitos que rodeiam a educação domiciliar e o primeiro deles é:

  1. Homeschooling é coisa de rico.

Bom, além de preconceituosa, essa visão não condiz nem um pouquinho com a realidade. Eu mesma conheço DEZENAS de famílias que passam por muuuuito perrengue financeiro, que tem muitos filhos e, sim, fazem homeschooling. Eles não têm oportunidade de fazer aquela viagem pro exterior (viagens são muito enriquecedoras, mas são substituíveis em certo nível), de comprar os materiais mais caros, de fazer todos os cursos que gostariam, mas eles não abrem mão de correr atrás de tudo o que há de melhor na Internet ou com amigos para eles educarem seus filhos. Ser pai homeschooler é isso: procurar, se esforçar, correr atrás, se dedicar, buscar sempre. Então falta de dinheiro não é motivo para não fazer homeschooling, até porque a economia que se faz com material didático, matrícula, uniforme, agenda escolar, mensalidades, passeios de escola, lanchinhos na cantina, apostilas….. olha, é mais fácil crer que é preciso ser rico para estudar na escola, viu? Rs. Na educação domiciliar não há essa lista de gastos imensa, pelo contrário. Uma mensalidade de escola, por exemplo, pagaria uns (muitos) livros para a leitura do seu filho, que serviria para todos os outros filhos.

      2. Somente professores podem ensinar uma criança

Para ser bem direta, vejamos o que a Bíblia fala sobre isso: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.” Esse é o grande mandamento, relembrado por Jesus lá no Novo Testamento. Mas o mandamento não termina ali. Olhe o que vem depois: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te…” (Dt 6:4-9; compare com Dt 11:18-20; 32:46; Sl 78:2-7; Pv 6:20-22). Todo Israel era chamado a ouvir e guardar essas palavras em seus corações. “Ouve, Israel”. Eles deveriam memorizá-las. “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração”.  Era um mandamento, não era um desejo de um ideal de Deus. E os pais tinham como função ensinar e colocar na cabeça e coração dos filhos o mandamento do Senhor. “tu as inculcarás a teus filhos”. E eles deveriam fazer isso a tooodo tempo, não só no domingo, não só por quinze minutos, não só quando estivessem a caminho da igreja. Mas o dia todo. “dela falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, ao deitar-se, e ao levantar-se”. 

Vejam que isso não era para um grupo seleto, especial e escolhido por Deus. Mas para todo Israel. Portanto, todo pai é capacitado a ensinar seus filhos. Quem conhece melhor seu filho? Quem o conhece para afirmar se ele está acompanhando o que está sendo ensinado? Ninguém melhor que os pais. O lar é o centro da Educação. Não que não possa haver ajuda de outras pessoas para que os filhos sejam educados, mas essa é a missão dos pais, dada pelo próprio Deus.

Você pode tentar argumentar: “mas eu não sei matemática! Eu não sei física!”. Ora, a educação domiciliar é para os pais também. É onde eles têm a oportunidade de aprender aquilo que não puderam ou conseguiram em toda a sua vida, ao passo que ensinam a seus filhos. Que oportunidade o Senhor concede ter filhos para ensinar!

Os pais devem, diariamente, todo o tempo, em toda oportunidade, ensinar seus filhos. Aproveitar cada pergunta, cada coisa diferente para ensiná-los. Portanto, como você deve ter percebido, Homeschooling não é somente mais uma modalidade de ensino, mas um estilo de vida. 🙂

Ensinando seu filho a cultuar ao Senhor

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Hoje mais cedo eu estava assistindo a essa palestra da querida Simone Quaresma, e resolvi compartilha-lá com vocês… Como você faz para que seu filho fique no culto? Como fazer Para que ele se comporte? Por que mantê-lo no culto solene?  Se você é mãe, essa palestra vai te ajudar MUITO nessa missão de conduzir seus filhos à adoração a Deus. Se não é, aprenda a ajudar outras mães também… Invista seu tempo assistindo a esse vídeo! 😀