O que mais importa

d97b44b57074306f7ef1a1091da4a6fc

Eu não tive que esperar por nenhum resultado de provas: as descobertas eram claras.

Teve um dia que eu dei ao meu filho um teste prático, sem preparação, e um beija flor salvou o meu dia e me lembrou que educação é mais do que uma prova padronizada. Eu fui lembrada que a natureza e o cuidado pelos seres vivos me ensinam mais do que milhões de folhas de atividades.

Mas apesar da perspectiva melhorada, eu ainda me surpreendi com os resultados daquele dia de teste ‘real’. Felizmente, dessa vez não teve choro. Nós estávamos preparados. Nós havíamos trabalhado duro para terminar o currículo do meu filho nesse ano. Nós havíamos completado muitos testes. Nós revisamos os conceitos daquele ano. Como nós nunca havíamos feito nenhuma prova, eu realmente não tinha ideia de como ele faria isso.

No geral, eu só queria ter essa experiência de prova para identificar onde nós precisaríamos focar nossos esforços no ano seguinte. E isso funcionou.

Na manhã da prova, eu percebi vários problemas de comportamento no meu filho. Me dei conta que eles só aumentavam – reclamação, obediência sem rapidez, trabalho feito após hesitação, argumentação, desrespeito e interrupção.

Para minha surpresa, eu fez a prova muito tranquilamente. Bom, ele pode muito bem ter acertado tudo. A aplicadora do teste, uma sábia mulher que já fez homeschooling com várias crianças, disse, com um sorriso, que eu podia relaxar com as matérias um pouquinho.

O que eu tinha que focar a partir de então ficou muito claro: Não era matemática, não era leitura e compreensão, não era gramática. Era o caráter! O teste nos mostrou que precisávamos de uma correção sutil no curso:

Atitude, acima de aptidão
Respeito, acima de leitura e compreensão
Gratidão, acima de gramática
Mansidão, acima de habilidades matemáticas.

 É claro que eu sei disso, certo? Nós todos sabemos. Nós fizemos os Letter Lesson¹ por anos. Mas era mais fácil focar quando eles eram menores. A tentação quando eles crescem – e as matérias são cada vez mais acadêmicos – é deixar o desenvolvimento do caráter escorregar, uma vez que temos tantas matérias para aprender.

Eu, então, disse ao meu marido: “Sabe, poderíamos tirar um ano inteiro de férias do nosso currículo formal e concentrar apenas em caráter, hábitos, atitudes e habilidades para a vida e estaríamos bem academicamente.”

Isso me lembrou das famosas palavras de Charlotte Mason:

“A questão não é ‘Quanto o jovem sabe?’ ao terminar sua educação, mas ‘O quanto ele se importa?'” (tradução livre)

Como ensinamos esse tipo de educação, então?

É fácil ir ali e comprar o próximo livro de matemática. Mas não é tão fácil discernir os corações dos nossos filhos, ver os modos sutis em que eles tendem para o egoísmo e o ‘direito’ de ter algo, ingratidão ou preguiça. Mais difícil ainda perceber essas mesmas coisas no nosso próprio coração!

Claro que isso parecerá diferente para cada um de nós. Não existe um pacote de como lidar com o desenvolvimento do caráter (Como eu gostaria de comprar um ‘kit de caráter’ na Amazon!). Para nós, isso significa determinar 5 hábitos chave que deixamos passar, onde nós vamos escolher focar nossa atenção nos dias a seguir, ainda que isso implique em dar um passo atrás nos assuntos acadêmicos.

Para nós, eles são:

  1. Obedecer prontamente e com alegria
  2. Respeitar os outros
  3. Trabalhar diligentemente e entusiasticamente
  4. Expressar gratidão
  5. Exercitar domínio próprio

Sabe, se conseguirmos alcançar isso nesse ano, eu estarei satisfeita 🙂

Entre essas 5 coisas, engolir dezenas de bons livros e gastar várias horas do lado de fora, na natureza – acho que já temos nosso plano do homeschooling.

Agradecida que um teste padronizado me ensinou isso 🙂

Como VOCÊ foca no desenvolvimento do caráter no meio das atividades acadêmicas? Compartilhe conosco. Obrigada por ler!

Texto escrito por Kari Patterson, do blog Sacred Mundane, reproduzido em Simple Homeschool. Traduzido por Nossa Herança.

¹ Letter Lessons: um recurso comum entre pais cristãos, que consiste em pegar textos bíblicos que tratem diretamente de traços ou comportamentos para instruir os seus filhos desde pequenos. Para tratar de mansidão, por exemplo, pode-se usar o texto de Mateus 5.5, fazendo as crianças memorizarem e internalizarem as verdades expostas no texto. Para mais exemplos, clique aqui (em inglês).

Segredos de uma mãe homeschooler bem sucedida

alenaozerova

Escrito por Jamie Martin, editora do blog Simple Homeschool e fundadora do Steady Mom. Traduzido por Nossa Herança.

Três semanas atrás, eu tive o privilégio de falar em uma conferência virtual de educação domiciliar – a Heart of the Matter. Meu tema? Segredos de uma mãe homeschooler bem sucedida.

A palestra foi produtiva, e logo depois eu tive a ideia de torná-la em uma série para vocês aqui. Então, nas próximas semanas, dividirei com vocês as dicas que preparam as mães (e pais!) para o sucesso na vida da educação domiciliar.

Ao usar a palavra “segredos”, eu não quero dizer que eles serão, necessariamente, princípios ou ideias avassaladores, os quais vocês nunca ouviu antes falar. Em muitas áreas da vida, as verdades mais profundas são também as mais simples.

Eu chamo de ‘segredos’ porque eles envolvem ideias que eu desejaria ter sabido no começo da minha jornada de homeschooling – ideias que eu tive que adivinhar ou dei de cara, como que por acidente, no meio do caminho. Se eu soubesse desses segredos desde o princípio, creio que teria me ajudado a abordar a educação domiciliar de forma mais tranquila, com menos pressão.

E com o jeito que nós frequentemente sentimos sobre a responsabilidade da educação domiciliar, eu vou optar, sempre que possível, por menos pressão, certo?

O que me leva à primeira verdade que mães homeschoolers bem sucedidas devem entender:

 Ela entende que a educação domiciliar não significa a escola dentro de casa

Muitas mães novatas no homeschooling acreditam, erroneamente, que elas devem replicar uma sala de aula tradicional da escola e sua metodologia com seus filhos. Claro que normalmente não nos sentimos equipadas para fazer isso, então passamos a sentir medo. Eu senti isso alguns anos atrás – inicialmente imaginei ter uma fileira de carteiras, uma bandeira do país e ter que dar aula seis horas por dia.

 Porém, o que os mais experientes nisso descobrem é que o homeschooling é um estilo de vida, não um regime. Aprendizado não tem que ser confinado a um número específico de horas; ele não tem que se prender a barreiras artificiais.

Para que consigamos enxergar dessa forma, devemos pular fora da ‘esteira da educação’. Para a maioria de nós, isso não vem naturalmente porque essa é a forma como nós mesmos fomos educados. A esteira a que me refiro é o fato de as crianças serem todas agrupadas por idade, a maneira como elas agem no processo de aprendizagem é totalmente determinada pelos superiores num determinado horário e, depois de 13 ou 15 anos, elas deixam a ‘fábrica’ com um diploma na mão – um carimbo oficial garantindo que foram educados.

Essa esteira serve a alguns propósitos na sociedade, mas não há absolutamente NENHUMA necessidade de estabelecê-la em nossas casas!  Ainda sim, isso é exatamente o que muitas famílias que educam em casa fazem…

Você já ouviu falar do Sir Ken Robinson?  Ele é um reformador educacional moderno e tem muito a nos dizer sobre o modelo de esteira. Considere a citação de seu livro best-seller “The Element” (O Elemento-chave – Ed. Ediouro)

“O fato é: dados os desafios que nós enfrentamos, a educação não precisa ser reformada – ela precisa ser transformada

A chave para a transformação não é padronizar a educação, mas personalizá-la, construir as realizações a partir da descoberta dos talentos individuais de cada criança, colocar os alunos em ambientes nos quais eles queiram aprender e onde eles naturalmente possam descobrir suas paixões”

(tradução livre)

Criar uma educação individualizada é fácil para nós, homeschoolers – nós temos a oportunidade perfeita, desde que tenhamos a coragem de pular fora da esteira.

O ponto de partida para ser bem sucedido nisso é reconhecer que a educação domiciliar não tem que ser a escola dentro de casa!

Pense sobre isso …. livre-se dos seus medos. E se você sente que deve começar o homeschooling, se prepare e confie que o Senhor vai capacitá-la para tal!

Original aqui

O homeschooling não é o meu chefe

7jkvk52642c5c48baf

Escrito pot Shawna Wingert do Not the Former Things. Traduzido e adaptado por Nossa Herança. Revisado por Leah Leaman. 

“Eu amo essa época.

Me preparar para começar um novo ano escolar significa fazer tudo que eu naturalmente amo: planejar nosso calendário de ensino domiciliar, digitar nosso planejamento diário, pesquisar e (melhor ainda) encomendar e abrir os novos livros e currículos. Comprar novas canetas e lápis que não precisamos, mas achamos liiindas. (Sério, isso se aplica a todos os itens de escritório – eu mandei uma mensagem para meus amigos da loja outro dia perguntado se eles me ajudariam a justificar a compra de um grampeador dourado. Acho que tenho problemas rs).

É tão revigorante para mim – um novo ano, um novo começo, um adorável grampeador dourado…

Então, o verdadeiro ensinamento começa.

Leva algumas semanas, mas no futuro, eu sei que a novidade vai desaparecer. Os livros durinhos e novos terão café derramado sobre eles. Um punhado dos queridos lápis serão quebrados pelo meu menino de 10 anos por conta de sua frustração durante suas aulas de fonética. O planejamento vai me frustrar. E o currículo vai andar muito rápido para os meninos e suas diferenças de aprendizado.

Isso é somente parte de educar essas crianças. Então esse ano estou comprometida com um e somente um objetivo:

Homeschooling não será o meu chefe.

Melhor ainda: minha ideia de educação domiciliar não será o meu chefe.

Como nós começamos nosso sexto ano aprendendo em casa, estou ciente da minha tendência de querer me ater fielmente ao currículo planejado, ao planejamento diário, a todas as atividades divertidas do Pinterest, e ao que outras mães dividiram sobre como elas estão ensinando esse ano.

A verdade é: isso nunca serve bem aos meus filhos ou a mim.

Dessa vez, ao invés de ser intencional em seguir o homeschooling do meu jeito, vou focar em como meus filhos desejam


Como eu modifico nosso currículo

Eu ainda uso muitos programas curriculares tradicionais. Acho mais fácil modificar um plano já existente, bem detalhado, do que criar um próprio.

Qualquer programa que eu use tem que ter um elemento chave que o torne praticável. O currículo precisa ter alguma atividade ou opção prática para cada lição. Eu posso lidar com qualquer livro ou apostila tradicional, desde que eu saiba que há algo mais cinestésico planejado para o aprendizado pretendido.

Eu vejo que o currículo tem algo, eu quero comprá-lo – pois sei que ele nos dará certa estrutura – mas eu continuo trabalhando com nossas necessidades únicas.

O currículo, então, serve como um apoio. O que orienta o aprendizado em casa são as necessidades do aprendiz e a direção dos pais. Na educação domiciliar, portanto, ninguém está engessado ao material, ao livro. Extrai-se dele o necessário para ir além.

Trabalhando com flexibilidade de planejamento

Isso é muito mais importante do que eu admiti nos anos anteriores. Eu costumava fazer o planejamento ideal, e aí modificada toda hora, cada vez que ele falhava.

Agora eu monto um planejamento onde há vários espaços em branco para a vida simplesmente acontecer. Eu tenho uma rotina matutina mais frouxa, um rotina vespertina e uma noturna. Eu também aprendi a criar um plano genérico para a semana, incluindo um dia inteiro para estar em casa, um dia aberto para um encontro entre meus filhos e os amiguinhos – e entre as mães também, e um passeio de campo na sexta (porque não tem nada mais vazio que um museu em uma sexta feira de tarde).

Meu planejamento não pode me prender. Ele existe para que haja certa disciplina; no entanto, ele não pode deixar que eu seja alguém que deseja bater todas as metas, independente dos meus filhos, como é na escola. Flexibilizar é importante!

Todo meu planejamento é escrito a lápis e completamente sujeito à mudanças!

Lembrando que nosso homeschool pode ser diferente, mas não é inferior.

Esse é meu maior desafio e aprendizado na educação domiciliar. Nosso homeschool parece diferente. Meus filhos têm necessidades únicas que requerem isso. Por muito tempo senti que ‘diferente’ era inferior, menor do que o que eu via meus amigos fazendo com os filhos deles.

Eu sentia como nossa realidade sendo menor do que minha ideia de como o homeschooling deveria ser.

Estou começando a entender que só porque é diferente não significa que haja menos aprendizado. Diferente não significa menos! Significa individualizado e especial. Significa apropriado e centrado no aprendiz – meu filho. Significa que o aprendizado vai, de fato, acontecer.

Cada família encontrará um ritmo diferente, materiais diferentes, métodos diferentes … e nem por isso estarão negando aos filhos o direito de aprender. Não podemos nos comparar e nos diminuir porque educamos diferente de outra família. A grama do vizinho não pode ser mais verde que a sua..

Não vou deixar que a educação domiciliar seja meu chefe. Não vou deixar o currículo, o planejamento, ou expectativas utópicas ditarem como eu faço meus filhos aprenderem. Não importa quais sejam as necessidades dos seus filhos: não creio que você deva deixar essas coisas te controlarem. “

.

Original: http://simplehomeschool.net/not-boss/