Cozinha do coração e da educação | Rachel Oliveira

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Qual o seu cômodo preferido na casa? A sua sala de TV? Seu escritório, onde fica seu computador? Sua biblioteca preciosa?
Já pensou na cozinha?! É, talvez não seja o lugar mais popular entre as mulheres modernas, mas ela é um lugar muito especial. Mas: o que uma cozinha tem a ver com a educação domiciliar? Nesse texto – pra lá de belo e poético – você vai entender.

Um bolinho no final da tarde…hum…que gostosura! Muito mais do que simples alimento, é uma demonstração de cuidado e carinho. Cheiro de bolo assando é um verdadeiro perfume no lar. Ele entra pela casa toda e vai chamando cada um para um momento de abraço coletivo, saboreando algo feito com amor.    E na hora do almoço, quando a fome começa a apertar? Aquele cheirinho de alho e cebola dourando….que delícia!

E todo dia é dia de cozinhar. Coisa chata? Sim, às vezes. Cansativa? Sim, várias vezes. Porém, quando me lembro que cozinhar para a família é uma forma de demonstrar amor, sinto que compensa cada cebola descascada.

Pensando assim, me veio algo à mente. O momento de cozinhar é uma oportunidade e tanta para ensinar! Tem tudo a ver com educação domiciliar, pois sabe-se que ensinar a cozinhar, a conhecer os alimentos, limpar a louça e pôr a mesa fazem parte de um bom “currículo”. Mas não para por aí!

Anos atrás, a cozinha era o principal lugar da casa. E, diga-se de passagem, o lugar mais gostoso de se estar. Lá, a mãe gastava a maior parte do seu tempo cozinhando, amando… E os outros membros da família queriam estar perto. Enquanto se cozinha, também dá para conversar, para aconselhar, dar bronca, jogar papo fora e..dar aulas!!!

Mas nessas cozinhas apertadinhas??? Só cabe um! O principal cômodo da casa foi transferido para a sala e, ao invés de longas conversas à beira do fogão, temos longos silêncios, na frente da televisão.

Contudo, essa não pode ser a realidade dentro de uma família que se dispõe a educar em casa (e em nenhuma outra, acredito eu!). Não posso falar por todos os lares em que se pratica a educação domiciliar mas, naqueles que eu conheço, a mulher dedica-se integralmente aos cuidados da casa, dos filhos, da educação deles e… da comida, que é feita com a ajuda dos pequenos cozinheiros.

A cozinha dos meus sonhos é a cozinha do coração. Grande, com mesa para todos se sentarem, para estudarem os compositores ouvindo o som da colher mexendo na panela, resolverem contas enquanto conto os bifes que vou fritar, decorarem um poema enquanto decoro uma deliciosa salada para nos alimentar.

É uma cozinha na qual as pessoas da minha casa podem chegar e se acomodar para juntos, enquanto cozinho, trocarmos muitas ideias. Ela é do coração porque é de lá que bombeio a vida para todas as outras partes da casa. É lá onde acolho os sentimentos que vêm dos outros membros desse corpo complexo, que é minha família, e os absorvo, como absorvo os cheiros que emergem das panelas.

Minha cozinha é pequena, que pena! Mas com jeitinho cabe todo mundo! Quantas vezes fico deitada no chão dela, contando histórias para meus filhos enquanto o feijão cozinha! Como foi gostoso ver algumas das minhas filhas desenharem as letrinhas dos seus nomes, pela primeira vez, no chão da minha cozinha! Sem falar que, por ser pequena, toda hora a gente se esbarra nos amores da nossa vida e logo o aperto vira pretexto para um beijo, um abraço, um afago. É, eu ainda quero uma cozinha grande, mas como ainda não dá, vou tentando transformar minha pequena cozinha num lugar cheio de amor, paixão e muita educação. Seja qual for o tamanho, sua cozinha pode ser um lugar do coração! Um lugar de transformação!

publicado originalmente em: Educação Domiciliar

Avós de crianças educadas em casa

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Quando pensamos em homeschooling, por muitas vezes ficamos tão absortos no mundo da educação, e das motivações, e da socialização e das muitas dúvidas advindas dessa escolha que esquecemos de uma coisa: nossos pais, os avós das crianças educadas em casa.

Deixe-me explicar… não estou dizendo que os pais precisem do aval dos avós para fazerem homeschooling. Isso é uma decisão que cabe aos pais realmente. No entanto meu ponto é: por que não incluí-los e motivá-los nisso também? Afinal, eles também amam as crianças, querem o bem delas, assim como você, pai. Por que não trazê-los para perto e mostrá-los o mundo da educação domiciliar?

Eu estive na Global Home Education Conference, no Rio de Janeiro. Lá participei de um workshop sobre o poder dos relacionamentos no homeschooling. E uma das mini palestras foi proferida pelo querido casal Heki – Rich e Barb Heki. Eles são fundadores da ONG Grandparents of Homeschoolers (“Avós de crianças educadas em casa” – tradução livre) e me abriram os olhos para esse tema. Naqueles poucos minutos eles nos ensinaram e emocionaram muito. E deixarei com vocês algumas das coisas que foram aprendidas com eles.

O que pode ser feito para que eles participem de forma efetiva do HS?

  1. Tirar fotos e mandar para os avós

Qual avó não fica toda boba com a foto do neto fazendo alguma coisa engraçada? Qual avô não fica todo orgulhoso de ver seu neto aprendendo a jogar um futebol ou alguma outra atividade física? Avós gostam disso, eles gostam de ter fotografias dos netos. Que tal você – pai – tirar umas fotos das crianças enquanto fazem aquele projeto de ciências legal na hora dos estudos? E quem sabe pegar seus filhos de surpresa lendo aquele livro que ele ganhou? Ou então, tirar fotos do pique nique que você fez com eles?

Tire fotos dos momentos importantes e significativos, que compõem a educação domiciliar e mande para seus pais, de modo que eles também se sintam parte desse processo. Aproveite e dê um porta retrato junto, para que eles coloquem no quarto ou na sala deles.

     2. Neto e avô podem aprender algo juntos

Se seu pai ou sua mãe são um pouco mais antenados com tecnologia, uma sugestão é você fazer com que eles aprendam ou empreendam algo juntos. Por exemplo: construir um foguete, aprender a tocar algum instrumento, aprender algum idioma … tem vários tutoriais no YouTube, por exemplo. Não é nada muito elaborado, cheio de dificuldades ou que leve o resto da vida para fazer, mas é algo que marcará a vida de ambos.

Para os mais tradicionais, por que não aprender a costurar? Pregar um botão, fazer uma bainha, assar aquele bolo gostoso no final da tarde, aprender a fazer um croissant gostoso… Todas essas atividades são momentos de aprendizado, estudo e convivência amorosa com os familiares.

     3. Ler para as crianças

Isso é fundamental. Há muitos bons livros no mercado, seja ele físico ou digital. Separe um tempo do dia que você passar com seus netos para ler com eles, mostrar as imagens, as palavras. Conte-os boas estórias, encene-as, se for  caso…

Pais, separem livros que vocês considerem adequados e mandem com as crianças quando elas forem passar um tempo com seus pais. Isso facilitará muuuito a vida deles e a sua também. Fora que não vai ter desculpa para eles não lerem! 😛

Leitura não é chato, não é perda de tempo. Chato é não gerar nas crianças o prazer e o amor pelos livros. Então, leiam juntos. Aproveitem o tempo de forma produtiva e ativa. Será um momento super importante do aprendizado das crianças e você, avô, será agente disso. Olha que coisa boa! 😉

 

 

12 razões para NÃO fazer Homeschooling

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Antes de mais nada, esse não é um texto para te desmotivar e fazer desistir da educação domiciliar… não mesmo! Maaaaas, se você deseja praticar o homeschooling com seus filhos, você já parou para pensar nas suas motivações? Já parou para refletir sobre qual é sua visão sobre isso? Se não, convido você a fazer isso agora, com esses 12 motivos para não fazer o homeschooling, elencados por Kenneth Wiske, sua esposa Tamara e o César Miranda dos Santos – eles escrevem para o blog Educação Domiciliar

Boa leitura!

“Praticamos a educação domiciliar há 19 anos, os últimos 16 deles aqui no Brasil com nosso filho canadense e os nossos 5 filhos brasileiros. Tem sido uma bênção enorme para a nossa família. Gostamos muito do homeschooling, e podemos recomendar esta modalidade de ensino para outros pais que estão preocupados com o péssimo nível do sistema educacional, tanto público quanto particular, e que estão desejosos e preparados para assumir mais responsabilidade e um papel com envolvimento mais direto na educação dos seus filhos. Para nós, o motivo primordial para fazer o homeschooling é que não tivemos uma outra opção viável para cumprir o voto solene que fizemos diante de Deus no dia do batismo dos nossos filhos, de criá-los no temor do Senhor. Não somos “anti-escola” (tanto eu como minha esposa, que é pedagoga, trabalhamos vários anos como professores no ensino fundamental e médio). Conhecemos escolas Cristãs reformadas muito boas, que são ótimos exemplos de um projeto educacional dirigido por uma associação de pais, no ambiente da aliança e da comunhão dos santos.

Existem muitas razões em favor da prática de homeschooling. Especialmente no Brasil onde é muito difícil, se não impossível, abrir uma escola Cristã com mensalidades acessíveis e com um currículo que não sofra as imposições do MEC. Mas também existem muitas razões para NÃO fazer o homeschooling.

Eis uma lista de 12 razões para NÃO fazer o homeschooling:

  1. Se você achar que o homeschooling vai magicamente salvar a alma do seu filho.
  2. Se você achar que o homeschooling é o único jeito “verdadeiramente bíblico e reformado” de educar os seus filhos, e os filhos dos outros.
  3. Se você ainda estiver com dúvidas sobre o assunto mas, mesmo assim, quer ir em frente porque “os outros estão fazendo”.
  4. Se você não estiver disposto e preparado para lidar com uma mudança radical em seu estilo de vida.
  5. Se você estiver fazendo homeschooling apenas para poupar dinheiro.
  6. Se você achar que o homeschooling vai transformar seus filhos em gênios (apesar do DNA deles).
  7. Se você não estiver preparado para escolher seu próprio caminho ao invés de seguir a vida e as prioridades que a sociedade, colegas, vizinhos, família ou quaisquer outras instituições ou pessoas querem lhe impor.
  8. Se o homeschooling for contribuir para separar você ou seus filhos da comunhão dos santos.
  9. Se você achar que, por ser homeschooler, você é um Cristão e um reformado melhor que os outros membros da Igreja.
  10. Se você estiver fazendo homeschool somente porque seu marido (ou sua esposa) quer.
  11. Se você, como esposa, não estiver consciente, preparada e decidida com respeito ao fato que, durante várias décadas da sua vida, você vai ter como sua tarefa principal, tomando quase todo o seu tempo e energia, o projeto de cuidar, criar, educar, e formar seus filhos.
  12. Se você, como marido, sacerdote e cabeça do seu lar, não estiver plenamente seguro e convicto. Não avance na decisão. Gaste tempo estudando, se informando e se preparando. E orando. “Tudo o que não provém de fé é pecado.”

 

texto originalmente publicado em: Educação Domiciliar | 12 razões para não fazer homeschooling

 

Dica: Museu do Amanhã – RJ

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Como uma futura homeschooler, encaro qualquer passeio como aula e espaço de aprendizagem. Imagino os temas, as possíveis abordagens, o que fazer e não fazer com os materiais e vivências do local.

Um passeio muito interessante que fiz recentemente foi uma visita ao Museu do Amanhã. Ele é uma iniciativa da Prefeitura do Rio, concebido e realizado em conjunto com a Fundação Roberto Marinho, instituição ligada ao Grupo Globo, tendo o Banco Santander como Patrocinador Master. Conta ainda com a BG Brasil como mantenedora e o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado do Ambiente, e do Governo Federal, por intermédio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Onde é?

Fica localizado na Praça Mauá, no centro do Rio, pertinho do Museu de Arte do Rio – MAR. É super fácil chegar de transporte público, apesar de que quem vai de metrô anda um pedacinho rs [é só saltar na estação Uruguaiana e andar por mais ou menos 15 minutos até o museu].

Quando ir? 

Fica aberto de terça a domingo, de 10 às 17h. Custa R$10 a inteira e R$5 a meia entrada. E o melhor dia para ir é justamente na terça feira, porque é de graça! 😀 rs. Se você puder evitar de ir no verão do Rio de Janeiro é melhor, o centro da cidade é MUITO quente. O Museu tem ar, mas as ruas não …..

O Museu

Tecnologia, tecnologia, tecnologia! Muuuitas luzes, vídeos, interatividade e painéis coloridos. Para quem gosta, é um mundo. Tudo funcionando direitinho, muitas oportunidades de aprendizado e até diversão. Por que não juntar as duas coisas? 🙂

A proposta do museu não é te dar respostas, mas te fazer perguntas. Isso seria muito legal, se não fosse o fato de que nada é neutro. E nós, como crentes e cabeças pensantes devemos saber disso. Os e discursos foram produzidos, obviamente, sob uma ótica Humanista, Evolucionista, Eco Friendly e Politicamente Correto. Mas nem por isso a experiência deve ser descartada. Muito pelo contrário: a visita ao Museu do Amanhã é uma experiência a  ser vivida e refletida. É uma oportunidade linda de ensinar nossos filhos a refletir criticamente sobre tudo que eles vêem, ouvem e fazem.

Além disso, há muitos temas para serem explorados nas visitas, tais quais: história (antiga e moderna), biologia (fauna, flora), geografia (continentes, clima, marés, ventos), astronomia (esse é bem interessante!), filosofia, teologia, meio ambiente, política …… olha, o que a criatividade dos pais homeschoolers permitir!

Como educação domiciliar não é para ser trancada entre as quatro paredes da sua casinha, aproveite locais como esses para ensinar seus filhos. E de quebra, quem sabe levar aquele amiguinho do seu filho para aquela querida socialização… 😉

Até a próxima!

Mais informações: http://www.museudoamanha.org.br/

Orientações sobre a visita dos Conselheiros Tutelares – Dr. Alexandre Magno

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Essa é uma dúvida muito comum aos homeschoolers e interessados na educação domiciliar: e se eu receber a temida visita do Conselho Tutelar? o que eu farei?

Aqui, orientações precisas e diretas, dadas pelo dr. Alexandre Magno, com relação às visitas de conselheiros tutelares à sua residência:

Algumas informações sobre as visitas do Conselho Tutelar:

1. O Conselho Tutelar é o órgão de fiscalização dos direitos das crianças, não tendo poderes para impor nenhuma medida à família.

2. Todos os pais que ensinam em casa devem estar preparados para uma eventual visita do Conselho Tutelar. Essa visita ocorre porque o conselho precisa verificar se não há situação de abandono intelectual.

3. Nada obriga a família a receber os representantes do Conselho Tutelar. Porém, é aconselhável que os receba e explique a situação com toda a boa vontade necessária.

4. A família deve presumir que os representantes do Conselho Tutelar não têm a mínima noção do que seja educação domiciliar, pois essa é a situação em quase todos os casos. Assim, é preciso que a família saiba explicar exatamente o que é isso e porque é uma ação legítima.

5. Mais do que explicar, é indispensável que a família prove que efetivamente está ensinando os filhos em casa. Por isso, é preciso que todas as atividades educacionais estejam devidamente registradas.

6. A presença de um advogado não é indispensável, mas pode ser útil para explicar os fundamentos jurídicos da educação domiciliar. Porém, se houver interesse, a própria família pode se informar e explicar a questão jurídica aos representantes do Conselho Tutelar.

7. Quase sempre os representantes do Conselho Tutelar ficam convencidos das razões da família. Caso isso não aconteça, a questão será remetida ao ministério público.

Alexandre Magno, em sua conta do Facebook.

O “mito” da socialização -Raymond & Dorothy Moore

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“Ah, você faz homeschooling? E a socialização?”

“Uma das maiores objeções da sociedade e da pedagogia tradicional contra o homeschooling é o dito “problema da socialização”, expressado frequentemente na forma de uma acusação de que a criança não poderá se desenvolver individualmente e socialmente de maneira adequada sem a interação com outras crianças de sua idade. Paradoxalmente, os homeschoolers afirmam que o desejo pela boa socialização de seus filhos é exatamente uma de suas principais motivações para ensinar em casa, onde acreditam que podem oferecer um ambiente social mais rico e significativo pela interação amorosa e saudável da criança com os membros da família, amigos e colegas selecionados e supervisionados pelos pais. Os veteranos do homeschooling, o Dr. Raymond Moore, psicólogo desenvolvimentista, e sua esposa Dorothy, também educadora renomada, ajudam a esclarecer essa tensão nesse pequeno trecho do seu livro “Home-Grown Kids”, ao explicarem, com base em sólidas pesquisas educacionais, a maneira como a criança pequena é socializada, e qual é o ambiente ideal para que uma boa socialização floresça.”

via Educação Domiciliar

Se você quer saber mais sobre (a verdadeira) socialização, não deixe de ler o texto na íntegra. Ele é curto, mas muito explicativo.

Para ler, acesse o blog lincado acima, ou visite: Maçãs de Ouro – o Mito da Socialização

O texto O Mito da Socialização foi extraído do livro Home-Grown Kids, “Crianças Criadas no Lar: Um manual Prático para Ensinar seus Filhos em Casa”, de Raymond e Dorothy Moore, (pp. 121-125). Indicados pelo mundialmente conhecido Dr. James Dobson, os autores dedicaram suas vidas a pesquisas e publicação de livros e artigos para a defesa e proteção do Ensino Domiciliar quando este estava em sua fase inicial e enfrentava muita oposição, grandemente baseada nessa questão do “mito da socialização”, que os autores se empenharam a refutar com base em inúmeras pesquisas. Hoje, os autores são aclamados como os pioneiros e fundadores do atual movimento de Educação Doméstica. Raymond Moore é um psicólogo do desenvolvimento cujas pesquisas sobre família e escola foram publicadas em praticamente toda revista acadêmica no campo da educação nos Estados Unidos e internacionalmente, além de ser conhecido na mídia por suas entrevistas e conferências. Sua esposa, Dorothy, é especialista em leitura e em aconselhamento para pais que desejam ensinar seus filhos em casa nos primeiros anos.