Homeschooling: mas e a socialização?!

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“Oh, não! Eu esqueci de socializar meus filhos!” (tradução livre)

Ah … a famigerada socialização! Por razões mil, pessoas se opõem à Educação Domiciliar, mas a principal razão para essa oposição, na maior parte dos casos, é a “falta de socialização gerada pelo homeschool”. Afinal de contas, se alguém não vai pra escola, significa que ele entra em uma realidade paralela, cai numa dimensão do Universo onde só ela existe e vive. Ninguém mais está ali, só ela, só ela, só ela … ela não vai ter interação com mais ninguém.

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Dimensão paralela onde não há socialização

Bom, é necessário relembrar que um ser humano não vive isolado. Uma criança, muito menos. Uma pergunta: você já foi ao mercado? Ou a um consultório pediátrico? Já foi no shopping? Ok. Em quantas situações você já não observou crianças estranhas umas às outras interagindo, como se fossem amigas desde sempre? E com adultos, você já viu? Uma moça olha pro lado, e de repente, recebe um ‘tchauzinho’ e um lindo sorriso de uma menininha. Já parou para observar quantas crianças conversam trivialidades com estranhos, simplesmente porque os viram do lado delas? Sugiro que você passe a observar… e por que isso acontece? Porque elas aprendem na escola que devem “conversar e brincar com todo mundo que encontrarem por aí”? Não. Porque a socialização é natural. Ela somente precisa ser podada e cultivada.

Veja bem, por que crianças normais teriam problemas de socialização se forem nutridas numa sociedade organicamente planejada por Deus, interativa e ajustada como é a Família? A primeira instância de socialização de um indivíduo é sua própria família, pois nela há o primeiro contato com aquilo que será vivido em maior escala, tanto em sociedade, quanto na vida cristã. É na relação familiar e na observação da relação entre os familiares que a criança aprenderá a relacionar-se. Ainda, nas palavras da querida Patrícia Vitalino, do blog “Homeschooling: dever de casa“:

“Pais e filhos se inter-relacionam numa perspectiva criada, planejada e ensinada por um Deus que entende de relacionamento desde antes da existência do mundo. Pois mesmo sendo apenas um Deus, Ele é tri-pessoal, oferecendo um relacionamento perfeito entre Pai, Filho e Espírito Santo.
Esse Deus, que entende desde a eternidade de relacionamento perfeito, fez o homem, viu que não era bom que ele estivesse só, fazendo-lhe uma auxiliadora idônea, ordenando-lhes que se multiplicassem e enchessem a terra de filhos. Estava assim criada a sociedade, e com ela, a perfeita socialização.”
‘O Homeschooling e o Mito da Socialização’
Onde uma criança aprenderá verdadeiramente como se deve respeitar os mais velhos, como os idosos e pessoas mais velhas que ela própria? Será numa roda de debates com ‘estudiosos’ da escola ou será no seio familiar, onde pais zelam pela alma daquele filho e o ensinam e disciplinam em amor, como a Bíblia ordena? Onde uma criança verdadeiramente aprende a cuidar e proteger os mais novos que ele? Numa palestra de 1h na escola ou na vida diária com seus irmãos e amigos, ensinados, acompanhados e disciplinados pelos seus pais? Não há dúvidas que esse tipo de ensinamento não é aprendido na escola, por um simples motivo: isso não compete a ela! O máximo que a instituição pode fazer é reforçar aquilo que já veio de casa. Mais nada.
Um outro ponto importante que precisa ser levado em consideração é o sistema seriado da escola. Lá as crianças estudam, brincam e convivem, em geral, com seus semelhantes: mesma idade, origens parecidas, mesma região geográfica, mesmos ambientes todos os dias. É por isso que hoje vemos adolescentes que não sabem nem olhar para um adulto, quem dirá conversar, ou mesmo respeitá-lo. Ele não foi ensinado a isso, ele não cresceu aprendendo com o diferente, mas com o igual.
Ok, você ainda acha a escola o ÚNICO local possível de socialização. Deixa eu te fazer uma última pergunta: como se socializavam as crianças antes da escola ser inventada? (sim, a escola do jeito que conhecemos hoje foi inventada recentemente, para a decepção de muitos seguidores de Paulo Freire). Pois eu mesma respondo: ora, era em comunidade, em família. E família é o pai, a mãe, aquela tia de 50 anos, os avós, o tio avô de 87 anos, a filha da vizinha de 5, e a prima dela de 10 e você tem 13. A escola é uma instituição muito muito nova em termos de História. Se a socialização dependesse dela, nem você nem eu estaríamos aqui hoje, certo?  😉
Deixo pra vocês duas leituras complementares, beeeem rapidinhas e curtas (mesmo!) – o tempo de vocês é valioso!
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Dúvida: posso ser preso? E o Conselho Tutelar?

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Para quem ouviu falar de homeschooling e ainda é novato no assunto surgem muitas dúvidas. Não é pra menos: o Brasil não tem essa cultura. A educação domiciliar é muuito nova no país, o movimento está ganhando espaço e visibilidade há pouquinho tempo. Ainda há pessoas que sequer ouviram essa expressão – por isso a necessidade de divulgação desse assunto! :).

Uma das primeiras dúvidas das pessoas é: “Legal, acho HS uma ótima opção pra mim. Quero, de verdade, praticar com meus filhos. Maaaas … eu vou ser preso? Porque o homeschooling é proibido no Brasil, certo? E o que vou fazer quando o Conselho Tutelar bater na minha porta?”. E agora? Temos que esclarecer algo antes:

  1. O HS NÃO é proibido no Brasil! Já falei no blog outras vezes, mas isso tem que ser seeempre lembrado.
  2. Não, a consequência de fazer homeschooling não é ser preso. Fique tranquilo.

Dito isto, vamos às explicações.

Digamos que você está se planejando para começar a Educação Domiciliar. Ótimo. Faz muito bem! Quando você começar a ensinar seus filhos – da maneira que você julgar conveniente, viverá sua vida normalmente, como qualquer ser humano e cidadão do país, vida que segue. Maravilha. Suponha que um belo dia um Conselheiro Tutelar toca a campainha da sua residência. O que você faz? Surta? Não abre a porta pra ele? Fica em silêncio pra fingir que não tem ninguém em casa? Claaaaro que não! Você vai recebê-lo e vocês vão conversar. Você, pai e educador, vai mostrar para ele seus registros de tudo o que vocês fazem, vai explicar, vai provar que seu filho recebe educação e não está abandonado, tranquilamente. Saindo dali é quase certo que tudo fique do jeito que está mesmo (é o que acontece na enorme maioria dos casos). O Conselho Tutelar não irá te levar para a prisão. Ele não irá levar teus filhos embora igual novela. O caso será arquivado, uma vez que vocês não estão quebrando o ECA¹ nem a LDB² – vocês não estão alienando seu filho do conhecimento e da educação. (sobre essas leis, leia mais em: Homeschooling: proibido no Brasil?)

Agora, por que razão um Conselheiro Tutelar foi até a sua casa? Como ele sabe da sua existência, e pior: como sabe que você pratica homeschool? Não é por acaso, não é um sistema de inteligência brasileiro. Alguém denunciou vocês. Um amigo, um vizinho, um parente. Por causa dessa denúncia, o Conselho Tutelar precisa averiguar se é verdade ou não, por isso eles vão até à casa denunciada. Mas, como vimos, isso não é motivo para pânico.

Portanto, pais, fiquem cientes que vocês precisarão registrar o que vocês fazem com seus filhos, o progresso deles e as matérias/conteúdos que foram vistos com eles. Saibam que não necessariamente vocês receberão a visita de um Conselheiro Tutelar, mas, se receberem, calmamente mostre a eles tudo o que vocês têm feito. Não brigue, não surte. Mostre, com mansidão, a sua rotina familiar.

Até a próxima.

obs: obrigada Barbara Campos. Por causa da conversa com você surgiu esse texto. 😀

¹ ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente
² LDB – Lei de Diretrizes e Bases.

“Fazendo escolhas que agradam a Deus” blog Educação Domiciliar

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Pais se preocupam com a educação e formação de seus filhos, se preocupam com seu bem estar, se preocupam com o intelecto e a alma deles. Para cada preocupação, um decisão. Mas em que se se baseia sua decisão? No âmbito da educação, qual a motivação para você escolher a forma como vai educar seu filho?

Nesse texto, o pastor Aláuli, no blog Educação Domiciliar, nos fará meditar sobre as motivações do nosso coração. Tire uns minutinhos pra ler… vale muito a pena! 🙂

“Como sabemos, o motivo final para tudo que fazemos é a glória de Deus (1Co 10.31; Rm 11.36 Cf. BCW p.1). Atender ou não a esse motivo é o que faz diferença entre atos de adoração a Deus e de idolatria. Ou seja, quando nossas ações são desejadas, planejadas e executadas tendo em vista a glória de Deus, não estamos simplesmente fazendo coisas, mas estamos fazendo coisas que agradam a Deus e que evidenciam o nosso reconhecimento de que Ele é o Senhor, que Dele é a verdade e que Ele é confiável: reconhecemos que a vontade Dele é boa, perfeita e agradável (Rm 12.1-3). Por outro lado, quando desejamos, planejamos e (…..)

Texto completo em: http://www.educacao-domiciliar.com/fazendo-escolhas-que-agradam-a-deus/

Homeschooler pode fazer ENEM?

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Escrevi um texto há uns dias atrás falando da situação jurídica do Homeschooling no Brasil. Como foi explicado, o ensino domiciliar não é proibido no país, somente não é regulamentado. Sabendo disso, muitas famílias ficam contentes e motivadas a começarem os trabalhos. Maaaaas, surge uma dúvida: como vou provar que meu filho estudou? Como ele vai entrar em uma Universidade pública? Será que ele pode fazer o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM? Mas como ele vai se inscrever, se ele nunca frequentar uma escola? Vamos, hoje, tentar solucionar esses questionamentos.

Fui fazer uma breve pesquisa no site do Inep, na sessão do ENEM, para me informar das condições para se fazer o exame. Pois bem, vê-se lá que “foi criado em 1998 com o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da educação básica, buscando contribuir para a melhoria da qualidade desse nível de escolaridade. A partir de 2009 passou a ser utilizado também como mecanismo de seleção para o ingresso no ensino superior”. É sabido, também, que qualquer pessoa, independente de classe social ou quantidade de estudos pode se inscrever para a realização da prova. Basta entrar no site, no período de inscrição, e se cadastrar. Até pessoas com pós-graduação, por exemplo, podem fazer o exame. No ato da inscrição não é necessário apresentação de nenhum histórico escolar, boletim, notas anteriores, nem nada disso.

Sendo assim, se seu filho recebe educação em casa, ele pode sim se inscrever para a prova. Mas e como comprovar a conclusão do ensino médio se ele não fizer o ensino médio regular em alguma instituição de ensino? O ENEM, mais uma vez, é a solução. O exame não é somente porta de entrada para Universidades públicas, como também uma certificação de conclusão do ensino médio.

Novamente, recorri ao site do Inep, no Guia de Certificação do ENEM, para entender exatamente como funciona esse processo da certificação. Lê-se que:

“Para obter essa certificação, não é necessário que o participante apresente Histórico Escolar ou Certificado de Conclusão do Ensino Fundamental. O Parecer nº 11 da Câmara de Educação Básica (CEB) do Conselho Nacional de Educação (CNE), aprovado Guia de Certificação 7 Exame Nacional do Ensino Médio – Enem em 10 de maio de 2000, que dispõe sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a EJA (p. 22 – Anexo VIII), esclarece que “o ensino fundamental não é condição absoluta de possibilidade de ingresso no ensino médio, dada a flexibilidade posta na LDB, em especial no art. 24, II, c”.” 

E quais são as regras para quem quer obter essa certificação? Segundo o mesmo site, é necessário que o aluno cumpra os seguintes requisitos: 

  1. indicar a pretensão de utilizar os resultados de desempenho no exame para fins de certificação de conclusão do Ensino Médio, no ato da inscrição, bem como a Instituição Certificadora;
  2. possuir no mínimo 18 (dezoito) anos completos na data da primeira prova de cada edição do exame;
  3. atingir o mínimo de 450 (quatrocentos e cinquenta) pontos em cada uma das áreas de conhecimento do exame;
  4. atingir o mínimo de 500 (quinhentos) pontos na redação.

Portanto, ao cumprir esses pontos o aluno poderá, facilmente, ter sua certificação de conclusão de ensino médio. Como explicitado no Guia de Certificação do ENEM, não é necessário que o participante mostre nenhum Histórico Escolar ou nenhum certificado de conclusão do ensino fundamental. Lá também se diz que  “o ensino fundamental não é condição absoluta de possibilidade de ingresso no ensino médio, dada a flexibilidade posta na LDB, em especial no art. 24, II, c”. Portanto, basta que no momento da inscrição do exame o aluno sinalize que deseja obter a certificação de conclusão do ensino médio.

E quem certifica o aluno? Segundo o portal, as Secretarias de Estado de Educação e os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Ambas são mantidas pela União e trabalham para colaborar com ela, tendo assegurada por lei autonomia administrativa e pedagógica.  Essas instituições ” têm prerrogativa legal no que diz respeito à oferta de ensino médio e, em vista disso, possuem previsão legal para certificarem a conclusão de ensino médio.”

Eis o modelo do certificado:

certificado enem

Portanto, pais homeschoolers, fiquem tranquilos. Se você deseja que seu filho tenha acesso à Universidade, ele pode ter, mesmo sem ter frequentado a escola. O ENEM serve como ‘comprovação’ para que ele entre na faculdade. Além disso, foi anunciado recentemente que o Ministério da Educação lançará outro exame para conferir certificado de conclusão do ensino médio para aluno com 18 anos ou mais. Maiores informações estarão no site do Inep em breve.

Fontes:
Guia de Certificação ENEM

Portal ENEM

Portal Inep – dúvidas frequentes

MEC cria novo exame para certificação do Ensino Médio

Ensinando a Palavra de Deus aos nossos filhos

Greuze, Jean-Baptiste, 1725-1805; A Father Reading the Bible to His Family

Greuze, Jean-Baptiste. ‘A Father Reading the Bible to His Family’ – Ferens Art Gallery. Imagem do Pinterest.

4 Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR.
5 Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.
6 Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração;
7 tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.
8 Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos.
9 E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.
Deuteronômio 6.4-9

Esse é um mandamento aos pais, não somente aos pais do povo de Israel, mas ao povo da Aliança, até hoje. Como pais, Deus deu a VOCÊS a responsabilidade de ensinar seus filhos no Caminho em que eles devem andar, conduzindo-os pelos caminhos da Verdade. Essa não é uma responsabilidade da sua igreja, ou da escola, nem dos desenhos que seu filho assiste. Mas sua, enquanto pai e mãe. E tem responsabilidade mais prazerosa? Tem responsabilidade que dê frutos mais doces do que educar nossas crianças conforme a Palavra de Deus nos manda? 🙂

Nesse vídeo, temos um menino, bem novinho, já aprendendo as verdades bíblias através do ensino do Breve Catecismo. Esse documento de fé é um dos que você, pai, mãe, pode usar no seu culto doméstico ou na sua devocional com seus filhos. São perguntas curtas, com respostas também curtas, para serem memorizadas pelas crianças. É um documento recheado de teologia sólida, para formar um crente sadio e maduro nas Escrituras.

Se você, ao ver o vídeo, está se perguntando como irá ensinar seu filho o Breve Catecismo, deixo aqui dicas práticas, recomendadas pelo Reverendo Ewerton Tokashiki, em seu blog:  Ensinando o Breve Catecismo de Westminster para crianças.

Que o Senhor desperte os pais, ajudando-os a cumprir aquilo que Ele deseja.

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.
Provérbios 22.6

 

 

Educação Domiciliar: que papo é esse?! (2)

Book house and apple

Já escrevi um primeiro texto sobre o tema, então, se você ainda não leu, confere lá! Hoje, gostaria de considerar alguns pontos mais específicos sobre esse assunto. Prontos?

Quem já ouviu falar a palavra ‘homeschooling’, muitas vezes cai no engano de acreditar que se trata apenas de uma alternativa de educação, limitada à pessoas de classe média ou ricas. Afinal, só eles terão tempo, dinheiro, disposição e capacidade para tirar as crianças da escola e se dedicar apenas a isso. Outros, ainda, dizem que nem todos os pais são capazes de ensinar seus filhos, só os professores podem fazê-lo. E é sobre isso que esse texto quer tratar hoje.

Primeiramente, precisamos desconstruir alguns mitos que rodeiam a educação domiciliar e o primeiro deles é:

  1. Homeschooling é coisa de rico.

Bom, além de preconceituosa, essa visão não condiz nem um pouquinho com a realidade. Eu mesma conheço DEZENAS de famílias que passam por muuuuito perrengue financeiro, que tem muitos filhos e, sim, fazem homeschooling. Eles não têm oportunidade de fazer aquela viagem pro exterior (viagens são muito enriquecedoras, mas são substituíveis em certo nível), de comprar os materiais mais caros, de fazer todos os cursos que gostariam, mas eles não abrem mão de correr atrás de tudo o que há de melhor na Internet ou com amigos para eles educarem seus filhos. Ser pai homeschooler é isso: procurar, se esforçar, correr atrás, se dedicar, buscar sempre. Então falta de dinheiro não é motivo para não fazer homeschooling, até porque a economia que se faz com material didático, matrícula, uniforme, agenda escolar, mensalidades, passeios de escola, lanchinhos na cantina, apostilas….. olha, é mais fácil crer que é preciso ser rico para estudar na escola, viu? Rs. Na educação domiciliar não há essa lista de gastos imensa, pelo contrário. Uma mensalidade de escola, por exemplo, pagaria uns (muitos) livros para a leitura do seu filho, que serviria para todos os outros filhos.

      2. Somente professores podem ensinar uma criança

Para ser bem direta, vejamos o que a Bíblia fala sobre isso: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.” Esse é o grande mandamento, relembrado por Jesus lá no Novo Testamento. Mas o mandamento não termina ali. Olhe o que vem depois: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te…” (Dt 6:4-9; compare com Dt 11:18-20; 32:46; Sl 78:2-7; Pv 6:20-22). Todo Israel era chamado a ouvir e guardar essas palavras em seus corações. “Ouve, Israel”. Eles deveriam memorizá-las. “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração”.  Era um mandamento, não era um desejo de um ideal de Deus. E os pais tinham como função ensinar e colocar na cabeça e coração dos filhos o mandamento do Senhor. “tu as inculcarás a teus filhos”. E eles deveriam fazer isso a tooodo tempo, não só no domingo, não só por quinze minutos, não só quando estivessem a caminho da igreja. Mas o dia todo. “dela falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, ao deitar-se, e ao levantar-se”. 

Vejam que isso não era para um grupo seleto, especial e escolhido por Deus. Mas para todo Israel. Portanto, todo pai é capacitado a ensinar seus filhos. Quem conhece melhor seu filho? Quem o conhece para afirmar se ele está acompanhando o que está sendo ensinado? Ninguém melhor que os pais. O lar é o centro da Educação. Não que não possa haver ajuda de outras pessoas para que os filhos sejam educados, mas essa é a missão dos pais, dada pelo próprio Deus.

Você pode tentar argumentar: “mas eu não sei matemática! Eu não sei física!”. Ora, a educação domiciliar é para os pais também. É onde eles têm a oportunidade de aprender aquilo que não puderam ou conseguiram em toda a sua vida, ao passo que ensinam a seus filhos. Que oportunidade o Senhor concede ter filhos para ensinar!

Os pais devem, diariamente, todo o tempo, em toda oportunidade, ensinar seus filhos. Aproveitar cada pergunta, cada coisa diferente para ensiná-los. Portanto, como você deve ter percebido, Homeschooling não é somente mais uma modalidade de ensino, mas um estilo de vida. 🙂